A cultura nacional agoniza

A cultura nacional agoniza

Por: Manoel Goes Neto – presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha-IHGVV

A Cultura é uma das pastas de menor orçamento numa administração, que tem a árdua missão de ser autodidata e sustentável, sem recursos financeiros para capacitação de profissionais da área e investimentos em produções, atividades e eventos. A crise social e econômica agravada por esta pandemia do Covid-19 evidencia a fragilidade do paradigma neoliberal hoje amplamente adotado nos programas de políticas públicas para a combalida cultura, e o seu impacto será maior devido ao fato de termos a economia brasileira já debilitada por uma crise política e institucional sem precedentes históricos no Brasil.

O segmento artístico e cultural é o mais vulnerável, onde estão os artistas, técnicos, produtores culturais, e toda a cadeia de fornecedores de insumos e de serviços que representa, mais de 2,5% do Produto Interno Bruto-PIB Nacional, e 4,8% do PIB do Espírito Santo. Números relevantes e muito significativos. As atividades culturais e artísticas agonizam, devido às necessidades do isolamento social preventivo ao coronavírus.

Demos um passo importante. O projeto de lei (PL 1075/2020) carrega uma série de mecanismos de auxílio aos profissionais da cultura do país, uma das primeiras áreas a ser atingida pela pandemia do coronavírus e uma das mais tardarão a retornar. O projeto, de autoria inicial da deputada Benedita da Silva (PT), propõe a utilização de R$ 3,6 bilhões para esses auxílios, verba que já é do Fundo Nacional de Cultura. Ele foi aprovado de forma quase unânime, com apenas a liderança do Partido Novo rejeitando a proposta. A relatora do projeto, a deputada federal, Jandira Feghali, sugeriu o nome do cantor e compositor Aldir Blanc para a referida lei.

Uma primeira batalha vencida, de forma coletiva, devido a mobilização realizada por todos que lutam pela Cultura do nosso país. A aprovação na Câmara dos Deputados do PL 1075 é o reconhecimento à classe trabalhadora da cultura, pela contribuição econômica e social, e por suas expressões que nos fazem sentir vivos em sentimentos e emoções, inclusive neste período de pandemia no qual a arte tem chegado a nossas casas, através das lives, nos fazendo sentir menos isolados. Este PL é de extrema importância para a sobrevivência da classe e o fortalecimento das políticas públicas,
reconhecemos todos nós.

Estamos mais uma vez próximos às eleições municipais. Nos debates eleitorais é que percebemos o quanto a cultura deveria ser prioridade em uma gestão pública. Pautados em discursos superficiais e improvisados. Observamos que muitos candidatos não conseguem uma comunicação eficiente com seu eleitorado.

Conhecer as demandas de todas as áreas da cidade é fundamental, incluindo a cultura, uma carência nacional. E por que os candidatos às eleições municipais do Espirito Santo deveriam saber quais ações programar para democratizar a arte e a cultura no seu bairro, na escola de seu filho, nos parques e locais públicos, teatros, cinemas e bibliotecas?

Respondo: Porque o conhecimento sempre será porta aberta para o empreendedorismo, a geração de empregos, a qualificação do capital humano, a formação e fortalecimento da nossa identidade cultural canela-verde e capixaba, dentre outras atividades que mudam a realidade das pessoas.

O livro, a arte, o espetáculo, o filme, o folclore e a dança são – tal como o medicamento e o material escolar – direitos do cidadão. E, como direitos assegurados, não podem ser esquecidos. Defendo que os gestores precisam apresentar proposições, como criação de conselhos e fundos municipais, leis de incentivo e outras ferramentas que promovam a arte e ampliem a participação popular nos espaços culturais. Ações que trazem números significativos de impactos social e econômico na região.

Por: Manoel Goes Neto – presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha-IHGVV

 

 

 

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