ARTIGO – Livro, o guardião da história – Monoel Goes

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Lembremos de como foram criados os livros. Passaram por muitas mudanças e transformações, até chegarem ao formato que temos hoje, com variações de suportes tais com os áudio-livros, e-books, etc. Tudo começou com o surgimento do alfabeto, quando os povos da antiguidade escreviam em placas de barro ou em pedras. A grande mudança ocorreu no Egito Antigo a 3 mil anos antes de Cristo, com o surgimento dos papiros, sucedidos pelos pergaminhos, de maior resistência, facilitando e muito, o acesso aos escritos da época.

Poucos eram os que tinham acesso ao conhecimento, aos escritos, aos livros. Somente os nobres e membros da Igreja tinha este privilégio, pois havia uma crença que os escritos eram objetos de salvação, no reino dos céus. Surgiram os Monges Copistas, na Idade Média, encarregados de copiarem as obras escritas, que eram na sua quase totalidade obras religiosas.

Tempos depois, coube ao gráfico alemão Gutenberg, no século XV, inventar e desenvolver a técnica de prensa móvel (a tipografia), permitindo assim a reprodução de copias, e a popularização dos livros. Um feito revolucionário, confirmando assim o sempre desejo, das civilizações do passado, da guarda do conhecimento, permitindo que estes conhecimentos fossem passados para as gerações futuras.

Comemoramos amanhã, dia 29 de outubro, o Dia Nacional do Livro. Data instituída em homenagem a fundação da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, fundada em 29 de outubro de 1810. Em 1808, com a vinda da Família Real Portuguesa, a rainha de Portugal, D. Maria I, e de D. João, Príncipe Regente, trouxeram ao Brasil um importante e grande acervo de manuscritos pertencentes ao acervo da Real Biblioteca Portuguesa. O primeiro livro editado no Brasil foi a obra de Tomás Antônio Gonzaga, Marília de Dirceu, em 1808. Hoje, a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro é a maior da América Latina, e está entre as dez maiores do mundo.

Falando de livros, temos que falar nas Academias de Letras, instituições de cultivo da nossa língua e literatura. A primeira Academia de Letras fundada no Brasil foi a Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, em 20 de julho de 1897, por expoentes intelectuais e literatos, liderados pelo escritor, (que eu particularmente reputo o maior de todos os escritores brasileiros), Machado de Assis. Compõe-se a Academia Brasileira de letras de 40 membros efetivos e perpétuos, e 20 sócios correspondentes estrangeiros.

Aqui em terras capixabas temos também uma Academia de Letras, atuante e histórica, a Academia Espírito-santense de Letras, fundada em 04 de setembro de 1921, pelo professor Kosciusko Barbosa Leão, com a finalidade de cultivar a língua nacional, incentivar as artes, a cultura, preservar e incentivar a criação de bibliotecas e instituições literárias. Incentivar a leitura e formação de novos leitores, promover cursos literários e intercâmbios com intuições congêneres nacionais e internacionais. Uma Academia atuante e revigorada, próxima do seu primeiro centenário, em 2021. Na presidência, a inesgotável, estimada aguerrida mestra, professora Ester Abreu de Oliveira. Fica localizada no centro histórico da capital Vitória, em um belíssimo imóvel histórico, ao lado do Palácio Anchieta, sede do governo do Espirito Santo.

Todas as nossas homenagens aos livros, pelo seu papel social e educacional, que promove a competência em informação, chave ao desenvolvimento socioeconômico sustentado, pois está diretamente ligado à inclusão social. É a leitura o principal agente de transformação do indivíduo em sociedade. Temos que incentivar a leitura, principalmente da literatura produzida aqui no nosso Estado.

Afinal, como disse René Descartes: “Ler um bom livro é como conversar com as melhores mentes do passado”

Por: Manoel Goes Neto – escritor, produtor cultural, e membro do IHGES
goesmanoel@yahoo.com.br

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