Artigo  – Reinventando o fazer cultural

Artigo – Reinventando o fazer cultural

Por: Manoel Goes Neto – presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha-IHGVV e diretor no Instituto Histórico e Geográfico do Espírito S

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Por: Manoel Goes Neto – presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha-IHGVV e diretor no Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo-IHGES

Como pensar a cultura do seu município para os próximos quatro anos? Quais as expectativas dos cidadãos e do segmento artístico e cultural quanto as políticas culturais a serem apresentadas pelos gestores públicos, no executivo e legislativo municipal? Que diferença fará nas nossas vidas a escolha de um representante afinado com as propostas das comunidades, dos artistas e produtores culturais de nossa região?

Muitos candidatos entram na disputa eleitoral sem incluírem os Projetos de Cultura em seus planos de governo. Ou o fazem de forma figurativa. A avaliação é simples. A grande maioria não conhece as propostas do setor, e das comunidades que realizam cultura de muita qualidade, mas sem qualquer incentivo e visibilidade. Em parte por não priorizarem a pasta, e também pela falta de iniciativa dos agentes culturais na elaboração e discussão das demandas com a classe política. Falta diálogo entre as partes. Faltam credibilidade e trânsito fácil com a imprensa. Falta integração com a comunidade.

O livro, a arte, a preservação do patrimônio histórico, o espetáculo, o filme, o folclore e a dança são, tal como o medicamento e o material escolar, direitos constitucionais do cidadão. E, como direitos assegurados, não podem ser esquecidos. Defendo que os gestores precisam apresentar proposições, como o fortalecimento dos conselhos e fundos municipais de cultura, leis de incentivo e editais culturais, e outras ferramentas que promovam a arte e ampliem a participação popular nos espaços culturais. Ações que trazem números significativos de impactos social e econômico na região.

O segmento artístico e cultural é o mais vulnerável, onde estão os artistas, técnicos, produtores culturais, e toda a cadeia de fornecedores de insumos e de serviços que representa, mais de 2,5% do Produto Interno Bruto-PIB Nacional, e 4,8% do PIB do Espírito Santo. Números relevantes e muito significativos. As atividades culturais e artísticas agonizam, devido às necessidades do isolamento social preventivo ao coronavírus.

Demos um passo importante. A sanção da Lei de Emergência Cultural Aldir BlancLei 14.017/2020 – carrega uma série de mecanismos de auxílio aos profissionais da cultura do país, uma das primeiras áreas a serem atingidas pela pandemia do coronavírus, e as que tardarão mais a retornar. O projeto, de autoria inicial da deputada Benedita da Silva (PT), propõe a utilização de R$ 3,6 bilhões para esses auxílios, verba que já é do Fundo Nacional. A relatora do projeto, a deputada federal, Jandira Feghali, sugeriu o nome do cantor e compositor Aldir Blanc, falecido recentemente, para a referida lei. Justa homenagem. Foi importante a participação da bancada federal capixaba dando unanimidade na aprovação desta lei.

Os artistas estão acostumados a viver sob as incertezas: do sucesso ou não de público e de crítica, da captação ou não de patrocinadores. A pandemia do novo coronavírus, no entanto, está transformando o que era embaçado em algo totalmente obscuro. Quando, afinal a rotina se restabelecer, uma nova forma de relacionamento com o público deverá ser criada, pois, se o conteúdo continuará praticamente o mesmo, o modelo de consumo será novo. Viveremos um período de renascimento após a pandemia, algo parecido à Renascença na Europa após o período da peste negra. O fazer cultural terá que se reinventar, e já estamos vendo isso acontecer. O que é muito bom.

 

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