Meridional Cariacica realiza procedimento com prótese inédita na América Latina

Meridional Cariacica realiza procedimento com prótese inédita na América Latina

A cirurgia foi realizada em paciente, que veio de Teixeira de Freitas ao Estado só para o procedimento

 

O Meridional Cariacica utilizou, pela primeira vez na América Latina, uma prótese diferenciada, para fechar um Forame Oval Patente (FOP) no coração de um paciente. A cirurgia aconteceu nesta semana e foi feita em uma mulher de 39 anos. Ela veio para o Estado, de Teixeira de Freitas (BA), onde reside, exclusivamente, para o procedimento.

Forame Oval Patente é uma estrutura anatômica, localizado no septo que divide os átrios direito e esquerdo do coração. Esta abertura é necessária durante a fase gestacional mas, quando a criança nasce, o próprio organismo se encarrega de fechá-la. Contudo, em cerca de 25% da população, esse orifício não se fecha, sendo essa, inclusive, uma causa relativamente frequente de Acidente Vascular Cerebral (AVC) em pessoas abaixo de 60 anos.

O cardiologista da Rede Meridional, José Airton Arruda, responsável pela cirurgia, explica os riscos ao longo da vida desses pacientes que continuam com essa abertura. “Alguns coágulos ou pequenos trombos podem se formar nas veias do organismo, principalmente nas pernas e veias do abdome. Esses pequenos coágulos podem atravessar o FOP, atingir o cérebro ou outros órgãos e causar, entre outros problemas, o AVC. Situações como a Covid-19, que aumentam a chance de formação de trombos, são sempre preocupantes para que tem um FOP”, afirma o médico.

Em pacientes que não têm quaisquer sintomas de AVC ou outras embolias sistêmicas, o FOP não precisa ser fechado. No caso da paciente do Meridional Cariacica, o procedimento foi realizado para evitar um novo AVC. A prótese usada aqui (CARDIOFORM) já é utilizada na Europa e nos Estados Unidos, inclusive com um estudo robusto sobre o assunto. A prótese é uma variação dos discos duplos, comumente utilizados, que contém uma quantidade muito menor de metal em cada disco, formado por cinco pétalas.

Quando um paciente tem um pequeno AVC, são feitos vários exames para identificar as causas, de acordo com Arruda. “Faz-se pesquisa de alteração na coagulação sanguínea e de placas nas artérias do pescoço e do cérebro, trombos no coração e arritmias cardíacas que podem causar AVC. Quando não se descobre a causa e se encontra o FOP através de um ecocardiograma, recomenda-se a oclusão (fechamento). A prótese que utilizamos tem a vantagem de ser mais flexível e de se associar a shunt residual (vazamento residual) muito mais baixo que os outros concorrentes”, conta o cirurgião.

A Academia Americana de Neurologia (2020) recentemente recomendou essa estratégia que, de acordo Arruda, é um tema bastante discutido na comunidade médica. “Não se faz mais o tratamento desse problema com cirurgia de peito aberto e, sim, com um procedimento minimamente invasivo. Com essa nova prótese a diferença é que, antes o coração é que tinha que se adaptar ao dispositivo, já esse novo modelo, mais flexível, é que se adapta ao coração. A recuperação é muito rápida e os riscos do procedimento são baixíssimos. Em uma série de 2.000 pacientes não houve óbito ou AVC decorrentes do procedimento”, finaliza.

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